Um jornal entre duas mãos: o Reiki está cada vez mais presente nos meios de comunicação social | Foto: Pexels

A jornalista de Ciência Jo Marchant convida a comunidade científica a estudar e a incorporar os mecanismos das terapias complementares como o Reiki, em vez de se limitar a rejeitá-los.

A integração das terapias complementares em hospitais foi alvo de debate nos últimos dias, na sequência da divulgação do anúncio de um hospital público britânico para a contratação de um terapeuta de Reiki, por um salário anual de 22 236 libras.

O anúncio coincidiu com a publicação de um relatório da “Care Quality Comission”, que revela que três em quatro hospitais britânicos não respeitam os padrões de segurança e que dois terços estão a disponibilizar um serviço precário.

No entanto, apesar das críticas à iniciativa e da pressão sobre o orçamento da saúde, este não será o único caso no Reino Unido. O The Princess Royal Hospital, em Telford, já emprega um terapeuta de Reiki, um aromaterapeuta e um terapeuta do toque.

Esta controvérsia é o tema central do artigo de opinião “Considerem todas as evidências sobre as terapias alternativas” da autoria de Jo Marchant, jornalista e autora premiada, com experiência científica e doutorada em Genética e Microbiologia, para a coluna online “World View” da revista científica “Nature”.

De acordo com a autora, “os críticos do anúncio – e há muitos – defendem antes aquilo que chamam de abordagens «baseadas em evidências» aos cuidados de saúde. Estes críticos deviam olhar novamente para as evidências – porque elas mostram que ignorar os benefícios das terapias alternativas é simplista e errado”.

Jo Marchant esclarece que ela própria não se revê nas afirmações que classifica de “pseudocientíficas” do Reiki e dos terapeutas espirituais, mas considera que não se deve descartar estas terapias como simples efeito placebo – até porque o próprio efeito placebo em si não deve ser desconsiderado.

“Nem todos os placebos são o mesmo, e as terapias alternativas conseguem por vezes despoletar respostas maiores do que os placebos convencionais”, esclarece. Além disso, quanto ao trabalho dos terapeutas, “muitos dos elementos que eles proporcionam – desde a conversa ao toque – parecem ter o poder de aliviar sintomas e mesmo de influenciar respostas físicas”.

Segundo Marchant, “por exemplo, acalmar a ansiedade de pacientes durante procedimentos invasivos, como as cirurgias laparoscópicas, pode reduzir o risco de flutuações perigosas do ritmo cardíaco. Isto resulta não só em efeitos positivos diretos a nível físico, mas provavelmente também na necessidade de menores doses de sedativos e de medicação para a dor”.

A jornalista analisa que “a medicina convencional, com os seus horários de consulta apertados e e equipas com excesso de trabalho, muitas vezes se debate para proporcionar tais aspetos humanos.

Uma resposta é contratar terapeutas alternativos”. Esta solução terá uma vantagem acrescida: “Isto garante que estas terapias são reguladas e que os pacientes também recebem o tratamento convencional de que precisam”.

Jo Marchant recorda que as medicinas integrativas como o Reiki já são disponibilizadas por grandes hospitais académicos dos E.U.A., dando como exemplo o Stanford Center for Integrative Medicine, na Califórnia, que disponibiliza acupuntura para tratar os efeitos secundários da quimioterapia.

“Se isto ajuda os pacientes a completar um tratamento convencional por tornar esses sintomas suportáveis, como um terapeuta me disse, isso pode também melhorar as taxas de sobrevivência”.

Embora considere legítima a preocupação dos críticos de que apoiar terapias que incorporem princípios não científicos possa minar a crença na medicina convencional, defende que “ignorar as abordagens alternativas também não é baseado em evidência, e deixa os pacientes necessitados”.

Marchant termina afirmando que “em vez de rejeitar essas abordagens como um todo, vamos aprender com elas. Isso significa ir além da prática simplista de descartar qualquer coisa que não consiga ultrapassar um placebo. Temos que descobrir os verdadeiros ingredientes ativos destas terapias – coisas como rituais, visualização, empatia, cuidado e esperança – para podermos aprender como elas trabalham e encontrar formas de as incorporar nos cuidados de saúde”.

A coluna de opinião “World View” é um espaço semanal onde figuras de relevo e comentadores abordam acontecimentos que afetam a comunidade científica mundial. Pode ler o artigo completo, em inglês, na página oficial da revista “Nature”.

 

Written by Reiki Studio

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